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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

1869: Nasce a primeira filósofa alemã

Luta pelo direito de voto feminino foi um dos setores em que Helene Stöcker se destacou

 

No dia 13 de novembro de 1869, nasceu a feminista Helene Stöcker, primeira alemã a se doutorar em Filosofia. Mais tarde, ela defendeu o direito das mulheres ao voto e destacou-se como pacifista.

 
Depois que Helene Stöcker apresentou em 1897 uma palestra sobre Nietzsche e as mulheres num seminário na Universidade Frederico Guilherme (agora Universidade Humboldt) em Berlim, o professor Wilhelm Diltey a contratou como sua assistente. Possibilitou-lhe assim começar um estudo de Filosofia na universidade, o que até então não era permitido às mulheres.
A pioneira foi em frente, tornando-se em 1901 a primeira alemã a obter o título de doutorado, em Berna, na Suíça. Em seguida, ela foi trabalhar como docente na Escola Superior Lessing, uma faculdade particular em Berlim, na qual até Albert Einstein lecionou. 
Ao mesmo tempo, ajudou a fundar várias organizações, entre as quais a Associação para o Direito de Voto da Mulher e a União para a Proteção da Maternidade e a Reforma da Sexualidade. Esta última entidade foi criada por ela com outras sufragistas em 1905, com o objetivo de diminuir o preconceito contra as mães solteiras e seus filhos.
Em 1903, Stöcker assumiu a responsabilidade pela revista Frauenrundschau, que tratava de questões relativas às mulheres. Segunda a feminista alemã, a base legítima da relação sexual não era o casamento, e sim o amor. Na revista Proteção da Maternidade, lançada pela União, a filósofa divulgava a sua ideia de uma "nova ética", com direitos de voto extensivos às mulheres.
Stöcker se torna pacifista
Em palestra pronunciada num congresso realizado em Haia, na Holanda, em 1910, Stöcker defendeu o direito da mulher às práticas contraceptivas. Durante a Primeira Guerra Mundial, ela se tornou pacifista radical. Outra vez em Haia, em 1915, participou do Congresso Internacional da Mulher para a Paz Permanente e, em 1921, fundou com outros a Internacional dos Adversários do Serviço Militar. Nos anos seguintes, entrou para diversas organizações pacifistas e publicou seu único romance, Liebe (Amor, 1922).
A reformadora da sexualidade nunca se casou, por convicção, mesmo namorando o advogado Bruno Springer desde 1905 até a morte deste, em 1931. Com a ascensão dos nazistas ao poder, Helene Stöcker emigrou, passando várias temporadas em Zurique, na Suécia e na Rússia e indo finalmente para Nova York, onde morreu em 23 de fevereiro de 1943.
Segundo instituto berlinense, Stöcker seria racista
A atuação da filósofa é, contudo, controversa. Segundo Peter Kratz, do Instituto Berlinense de Pesquisa do Fascismo e de Ação Antifascista, ela teria se tornado nacionalista radical e trabalhado na Sociedade para a Higiene das Raças, fundada pelo antissemita e fanático ariano Alfred Ploetz. Stöcker teria ainda fundado a União para a Proteção da Maternidade juntamente com Ploetz e outros alemães ligados ao partido nazista NSDAP.
Além disso, ela teria se juntado ao médico Magnus Hirschfeld, a quem se atribuem castrações e experimentos com homossexuais. Kratz afirma que Stöcker queria reservar a emancipação da sexualidade para a elite, evitando que surgisse uma nova geração medíocre.

Postado por: Sarah Elizabeth - 8 ano

Novalis


Georg Philipp Friedrich von Hardenberg(Schloss OberwiederstedtWiederstedtHarz2 de Maio de 1772 — Weißenfels25 de Março de1801), Freiherr (barão) von Hardenberg, mais conhecido pelo pseudónimo Novalis, foi um dos mais importantes representantes do primeiroromantismo alemão de finais do século XVIII e o criador da flor azul, um dos símbolos mais duráveis do movimento romântico.
Biografia
Novalis, retrato da autoria de Franz Gareis.
Gravura de Novalis, da autoria de Friedrich Eduard Eichens (1845).
Casa em Weißenfels onde faleceu Novalis.
Túmulo de Novalis, em Weißenfels.
Nasceu no solar de Oberwiederstedt (Schloss Oberwiederstedt), em Wiederstedt, no entãoEleitorado da Saxónia, o segundo dos onze filhos de Heinrich Ulrich Erasmus Freiherr von (barão de) Hardenberg (1738-1814) e de Auguste Bernhardine Freifrau von (baronesa) Hardenberg, nascida von Bölzig (1749-1818), uma família da pequena nobreza protestante hussita, fortemente pietista e afiliada à Igreja dos Irmãos da Morávia (Unitas fratrum ou Herrnhuter Brüdergemeine). Quando tinha 10 anos de idade foi enviado para uma escola religiosa, onde teve dificuldades em se ajustar à estrita disciplina ali imposta, desistindo pouco depois dos estudos.
Foi entretanto viver com o seu tio que lhe abriu portas para o racionalismo e para a cultura francesa.
Mudou-se com os seu pai para Weißenfels e entre 1790 e 1791 estudou Direito, tal comoJohann Wolfgang von Goethe, na Universidade de Jena, onde conheceu Friedrich von Schiller eFriedrich Schlegel. Completou os estudos jurídicos em Wittenberg, no ano de 1793.
Quando começou a escrever, adoptou o pseudónimo Novalis, que devém do nome de Novali que a sua família teria usado. Foi por este pseudónimo, mais que pelo seu nome, que ficaria conhecido.
Quando as ideias da Revolução Francesa se espalharam por toda a Alemanha, influenciaram fortemente Novalis, que então sonhava com o tempo das "Muralhas de Jericó" derrubadas. Revelando-se um romântico místico, inclinava-se por uma restauração da república cristã, que considerava desaparecida desde a reforma protestante. Nessa visão contrastava comImmanuel Kant, um homem do iluminismo, que antevia como solução para a Europa uma liga das nações, com uma república secular, humanista e materialista, constituída por uma federação mundial a ser acertada no devir.
A obra de Johann Wolfgang von Goethe Wilhelm Meisters Lehrjahre (Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister) influenciou-o profundamente, de tal modo que ele o considerou a bíblia da Nova Era. Por volta de 1796 estudou as obras deJohann Gottlieb Fichte, as quais foram outra das suas principais influências.
Com 21 anos de idade, mudou-se para Bad Tennstedt, perto de Langensalza, para estagiar como adjunto do Kreisamtmann (Administrador Civil) da localidade, depois de seu pai, com receio das influências liberais, ter rejeitado um convite do governo prussiano para um cargo governamental em Berlim. No ano seguinte foi nomeado auditor da direcção das minas de sal-gema de Weißenfels, onde o pai trabalhava como director.
A conselho de amigos, que pretendiam impedi-lo de sucumbir à forte e inexperimentada tentação da vida militar que sentia, no final de 1794 mudou-se para Arnstadt, naTuríngia, para continuar no ramo de trabalho do pai, empregando-se na administração do monopólio do sal-gema. No entanto, um acontecimento no vizinho solar deSchloss Grüningen, haveria de transformar toda a sua vida, como relatou o seu futuro amigo e editor Ludwig Tieck:
Não terá sido muito depois da sua chegada a Arnstadt, quando numa mansão senhorial nas redondezas, ele travou conhecimento com Sophie von Kühn. O primeiro vislumbre desta justa, maravilhosa e amável forma foi decisivo para toda a sua vida; não, podemos dizer que este sentimento, que agora o penetrou e inspirou, foi a substância e essência de toda a sua vida. Algumas vezes, no olhar e figura de uma criança, estampar-se-á uma expressão que é tão etérea e angelicamente bela, que somos forçados a chamar de não-terrestre ou celestial; e é voz comum, que, na visão de tais faces puras e quase transparentes, chega a nós um medo de que elas sejam excessivamente ternas e delicadas para serem moldadas para esta vida terrena; isso é a Morte, ou a Imortalidade, que nos olha de frente tão expressivamente com esses olhos deslumbrantes para a Certeza. Ainda são mais intensas estas figuras quando o primeiro período é alegremente ultrapassado, e elas florescem na véspera de feminilidade. Todas as pessoas que conheceram esta maravilha amorosa do nosso Amigo, concordam em testemunhar que nenhuma descrição pode exprimir que graça e celeste harmonia a moviam, que beleza irradiava, que macio e majestoso era o halo que a rodeava. Novalis tornava-se um poeta sempre que tinha a possibilidade de falar sobre isso. Ela tinha concluído o seu décimo terceiro ano quando ele a viu; a Primavera e Verão de 1795 foram o desabrochar da sua vida. Cada hora que ele podia liberar-se do seu negócio, ele a passava em Grüningen: e no Outono desse mesmo ano ele obteve dos pais de Sophie, o tão aguardado consentimento para o noivado.
No entanto, os dias de alegre tranquilidade foram de curta duração: pouco depois, Sophie von Kühn ficou perigosamente doente, com febre. Pouco a pouco a sua febre foi diminuindo mas as dores ainda a atormentavam violentamente. Dito que eram sem importância pelo médico assistente, Novalis retornou para Weißenfels, para casa dos seus pais. Na primavera seguinte visitou a família da noiva e encontrou Sophie bem de aparência. Mas, de súbito, no Verão, as suas esperanças e ocupações foram interrompidas por avisos de que ela estava em Jena, e fora submetida a uma operação cirúrgica. A pequena donzela suportou tudo isto com inflexível coragem e alegre resignação. Em Dezembro, por sua vontade retornou para casa, onde era evidente a sua fraqueza crescente. Novalis ia e vinha entre Grüningen e Weißenfels, que também se tinha tornado uma casa de mágoa, pois o seu irmão padecia de uma longa doença e aparentava morte certa. De novo, Ludwig Tieck reconta:
No dia 17 de Março era o décimo-quinto aniversário da sua Sophie; e no dia 19, por volta do meio-dia, ela partiu. Ninguém se atreveu a contar a Novalis estas tristes notícias; por fim, o seu irmão Carl tomou a iniciativa. O pobre jovem não se calava, e depois de três dias e três noites de choro e lamentos, partiu para Arnstadt, onde, com o seu verdadeiro amigo, poderia estar mais perto do lugar em que agora permaneciam os restos do que havia sido o de mais querido para ele. No dia 14 de Abril, morria o seu irmão Erasmus. Informa a seu irmão Carl: Sê corajoso, escreveu ele,Erasmus prevalece; as flores do nosso justo ramalhete estão a cair aqui, uma por uma, para que possam ser unidas além, amavelmente e para sempre.
Em 1798, Novalis publica uma série de fragmentos filosóficos, intitulados Fragmente (Fragmentos). No seu lamento, começou um diário contemplando o suicídio e passou a escrever poemas. Ich habe zu Söphichen Religion, nich Liebe (Tenho por Sofiazinha religião, não amor), escrevia ele. Começava a ver tudo na sua vida em relação ao seu amor perdido: Meine Liebe ist zur Flamme geworden, die alles irdische nachgerade verzehrt. Zufrieden bin ich ganz; die Kraft, die über de Tod erhebt, habe ich ganz neu gewonnen.
Oito meses depois da morte de Sophie, Novalis começou a estudar Mineração na Academia de Mineração de Freiberg, em Freiberg. Ali tornou-se amigo de Ludwig Tieck e de outros românticos. Em 1798, ficou noivo de Julie von Charpentier, à qual nunca se juntaria: acreditava que Julie tornava a presença de Sophie ainda mais próxima.
Em 1800, conclui a sua única colecção acabada de poemas, Hymnen an die Nacht (Hinos à Noite), a expressão do seu desgosto pela morte do seu primeiro grande amor. O conjunto de seis textos em prosa lírica e versos foi publicado na Athenäum, uma revista literária editada pelos irmão August Wilhelm Schlegel e Friedrich Schlegel.
Numa viagem a Weimar, conheceu Johann Wolfgang von GoetheJohann Gottfried von Herder, e Jean Paul, e em Jena, os irmãos Schlegel. Começou então a trabalhar na sua escrita com um novo entusiasmo, mas já nessa altura estava seriamente doente. Em 1801, antes de poder casar-se com Julie, Novalis morreu de tuberculose, a mesma doença que matara a sua amada Sophie, quando estava em Weißenfels. O pendor trágico da sua vida, a sua imagem de jovem apaixonado, divulgada numa famosa gravura de Friedrich Eduard Eichens (1804)–1877), datada de 1845 e reproduzida acima, fizeram de Novalis um dos ícones da geração romântica de meados do século XIX, granjeando-lhe uma fama muito para além dos méritos da sua obra, naturalmente curta e cortada cerce pela morte aos 28 anos de idade.
Os seus dois romances filosóficos, Heinrich von Ofterdingen e Die Lehrlinge zu Sais (Os Noviços em Sais), foram deixados incompletos. Em Heinrich von Ofterdingen um jovem poeta medieval procura uma misteriosa flor azul. Essa flor mística tornar-se-ia mais tarde no símbolo de saudade entre os românticos: era a flor azul inatingível e que assim para sempre continuaria.
Em"Die Lehrlinge zu Sais, um noviço adolescente argumenta que: Nur Dichter sollten mit dem Flüssigen umgehn, und von ihm der glühenden Jugend erzählen dürfen (Só os poetas deviam ocupar-se do evanescente e ter o direito de falar dele à juventude ardente).
Entre Setembro de 1798 e Março de 1799, Novalis escreveu fragmentos de um texto de natureza especulativa e filosófica que intitulou de Das Allgemeine Brouillon que faziam parte de uma planeada enciclopédia, em que pretendia examinar a polaridade na Natureza.
Mais recentemente, a vida de Novalis inspirou Penelope Fitzgerald para o seu romance The Blue Flower (1995).
Gravura de Novalis, da autoria de Friedrich Eduard Eichens (1845).

Postado por: Sarah Elizabeth - 8 ano

Rosa Luxemburgo


Rosa Luxemburgo, em polaco Róża Luksemburg (Zamość5 de março de 1871 —Berlim15 de janeiro de 1919), foi uma filósofa eeconomista marxista judeu-polaca naturalizadaalemã. Tornou-se mundialmente conhecida pela militância revolucionária ligada à Social-Democracia do Reino da Polônia e Lituânia (SDKP), ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e ao Partido Social-Democrata Independente da Alemanha (USPD). Participou da fundação do grupo de tendência marxista do SPD, que viria a se tornar mais tarde o Partido Comunista da Alemanha (KPD).
Em 1914, após o SPD apoiar a participação alemã na Primeira Guerra Mundial, Luxemburgo fundou, ao lado de Karl Liebknecht, a Liga Espartaquista. Em 1° de janeiro de 1919, a Liga transformou-se no KPD. Em novembro de 1918, durante a Revolução Espartaquista, ela fundou o jornal Die Rote Fahne (A Bandeira Vermelha), para dar suporte aos ideais da Liga.
Luxemburgo considerou o levante espartaquista de janeiro de 1919 em Berlim como um grande erro.Entretanto, ela apoiaria a insurreição que Liebknecht iniciou sem seu conhecimento. Quando a revolta foi esmagada pelas Freikorps, milícias de direita composta por veteranos da Primeira Guerra que defendiam a República de Weimar, Luxemburgo, Liebknecht e centenas de seus adeptos foram presos, espancados e assassinados sem direito a julgamento. Desde suas mortes, Luxemburgo e Liebknecht atingiram o status de mártires tanto para marxistas quanto para social-democratas.
Postado por: Sarah Elizabeth - 8 ano

Hannah Arendt


Hannah Arendt, nascida como Johanna Arendt, (Linden-Limmer, hoje bairro de HannoverAlemanha14 de outubro de1906 – Nova IorqueEstados Unidos4 de dezembro de 1975) foi uma filósofa política alemã de origem judaica, uma das mais influentes do século XX.
A privação de direitos e perseguição na Alemanha de pessoas de origem judaica a partir de 1933, assim como o seu breve encarceramento nesse mesmo ano, fizeram-na decidir emigrar. O regime nacional-socialista retirou a nacionalidade dela em 1937, o que lhe tornou apátrida até conseguir a nacionalidade estadunidense em 1951.
Trabalhou, entre outras atividades, como jornalista e professora universitária e publicou obras importantes sobre filosofia política. Contudo, rechaçava ser classificada como "filósofa" e também se distanciava do termo "filosofia política"; preferia que suas publicações fossem classificadas dentro da "teoria política".
Arendt defendia um conceito de "pluralismo" no âmbito político. Graças ao pluralismo, o potencial de uma liberdade e igualdade política seria gerado entre as pessoas. Importante é a perspectiva da inclusão do Outro. Em acordos políticos, convênios e leis, devem trabalhar em níveis práticos pessoas adequadas e dispostas. Como frutos desses pensamentos, Arendt se situava de forma crítica ante a democracia representativa e preferia umsistema de conselhos ou formas de democracia direta.
Entretanto, ela continua sendo estudada como filósofa, em grande parte devido a suas discussões críticas de filósofos como SócratesPlatãoAristótelesImmanuel KantMartin Heidegger e Karl Jaspers, além de representantes importantes da filosofia moderna como Maquiavel e Montesquieu. Justamente graças ao seu pensamento independente, a teoria do totalitarismo (Theorie der totalen Herrschaft), seus trabalhos sobre filosofia existencial e sua reivindicação da discussão política livre, Arendt tem um papel central nos debates contemporâneos.
Como fontes de suas investigações Arendt usa, além de documentos filosóficos, políticos e históricos, biografias e obras literárias. Esses textos são interpretados de forma literal e confrontados com o pensamento de Arendt. Seu sistema de análise - parcialmente influenciado por Heidegger - a converte em uma pensadora original situada entre diferentes campos de conhecimento e especialidades universitárias. O seu devenir pessoal e o de seu pensamento mostram um importante grau de coincidência.
                                 Hannah Arendt em uma ilustração de Aretz para o selo da série Mulheres da História Alemã.


Postado por: Sarah Elizabeth - 8 ano

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Na Alemanha - Falta de Crianças alarmam politicos

 

Representantes das classes política, empresarial e dos trabalhadores buscam solução para um problema que se reflete no futuro da Alemanha: o envelhecimento da população e a baixa taxa de natalidade.

 
O problema não é novo: com uma média de 1,3 filho por mulher, a Alemanha tem o menor índice de natalidade da União Européia. A população envelhece a olhos vistos, gerando já agora problemas e projetando perspectivas sombrias para o sistema previdenciário e o mercado de trabalho no país.
O ano de 1964 foi o que registrou o maior número de nascimentos no país: 1,36 milhão. De lá para cá, o número de crianças que vêm ao mundo por ano reduziu-se quase à metade. Das mulheres nascidas em 1940, apenas um décimo ficou sem filhos. Entre as nascidas em 1965, essa proporção subirá para um terço.
De uns dias para cá, no entanto, o tema "família" conquistou as manchetes nos meios de comunicação, reproduzindo um uníssono incomum. Governo e oposição, empregadores e sindicatos lamentam o clima hostil à formação de prole na Alemanha, exigem e sugerem medidas para facilitar aos casais – e em especial às mulheres – melhores condições para conciliar vida familiar e profissão.
Na segunda-feira (17/01), o presidente Horst Köhler – que, ao assumir o cargo em julho de 2004 manifestou preocupação com a baixa taxa de natalidade e declarou a família tema central de seu mandato – recebe em Berlim a ministra da Família, Renate Schmidt, o presidente da Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DHK), Ludwig Georg Braun, e o presidente da Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB), Michael Sommer, para tratar do problema e esboçar soluções.
"Sem igual no mundo"
Ministra Renat Schmidt em meio a escolaresMinistra Renat Schmidt em meio a escolaresO grande número de casais sem filhos na Alemanha é "sem igual no mundo", lamentou a ministra Schmidt ao jornalFrankfurter Allgemeine Sonntagszeitung. "Além disso, pessoas com filhos têm a impressão de que crianças não são desejadas nesta sociedade". Esta afirmação da política social-democrata reflete uma sensação reinante no país. Em pesquisa recente realizada pelas revistas Eltern (Pais) eEltern for Family, 75% dos casais sem filhos consultados disseram considerar o clima na Alemanha hostil às crianças.
"Na Alemanha, ter filhos não é sexy", comentou Marie-Luise Lewicki, redatora-chefe da Eltern, os resultados da pesquisa. Quatro entre dez consultados alegaram renunciar a filhos por motivos profissionais, 34% apontaram o receio de perda da liberdade individual como principal motivo e 29%, os altos custos representados pela educação de filhos.
Flexibilização no mercado de trabalho
Conciliar família e profissão é especialmente difícil na AlemanhaConciliar família e profissão é especialmente difícil na AlemanhaA dificuldade em conciliar vida familiar e atividade profissional na Alemanha é incontestada. A ministra Schmidt chega a dizer que elas são "as piores do mundo". É justamente neste ponto que se concentram as reivindicações e sugestões de políticos, empregadores e sindicalistas.
Schmidt, que vem se batendo por melhores condições para mães de crianças pequenas – mais creches, jardins de infância e outras formas de assistência –, alegra-se agora por contar com o apoio aberto do chanceler federal Gerhard Schröder. Depois que ele e sua esposa, Doris, adotaram uma menina de três anos na Rússia, as questões familiares adquiriram prioridade para o chefe de governo.
Angela Merkel, presidente da União Democrata Cristã (CDU), anunciou para este ano uma reformulação da política de seu partido – o maior da oposição – para a família. Merkel exige transformações na sociedade, que deve por um lado se tornar mais capaz de aceitar mulheres que queiram se dedicar a uma profissão ao lado da educação dos filhos e, por outro, deixar de menosprezar as que optem por ser donas de casa e mães.
O presidente da Confederação dos Empregadores, Dieter Hundt, lançou um apelo às empresas no sentido de criarem mais jardins de infância próprios, bem como de facilitarem licenças a mães com filhos doentes. É também às empresas que se dirige Ursula Engelen-Kefer, vice-presidente da DGB. Ela apela aos empresários para criarem melhores condições de assistência às crianças. "Só assim se pode aproveitar o potencial de mulheres com boa formação profissional."
Postado por: Sarah Elizabeth - 8 ano